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A
escolha da cultivar é uma das decisões determinantes do sucesso da lavoura
de arroz, influenciando indiretamente todo o manejo a ser adotado. Novas
cultivares de arroz de terras altas são desenvolvidas pela Embrapa, que
realiza um programa contínuo de melhoramento genético, buscando incorporar
as características que levem à maior produtividade, com alta qualidade e a
um menor custo. É importante esclarecer que não existe a cultivar ideal, e
sim cultivares com qualidades que devem ser exploradas corretamente para a
obtenção de melhores resultados.
No momento de se escolher uma
cultivar é necessário analisar suas características visando otimizar seu
uso dentro do sistema agrícola desejado. As principais características de
uma cultivar de arroz são: ciclo, altura de planta, resistência às
doenças, qualidade do produto e produtividade.
A produtividade é o
resultado do desempenho da cultivar ante as condições que lhe foram
oferecidas na lavoura. Nesta relação, os fatores de manejo pesam mais que
os fatores genéticos. Todas as cultivares recomendadas têm condições de
produzir bem, desde que suas condições de uso sejam observadas. Portanto,
para a escolha da cultivar, é mais importante verificar sua adequação à
região e ao sistema de manejo do que o seu suposto potencial produtivo
absoluto.
Características das Principais
Cultivares Recomendadas para o Cultivo
Primavera:
indicada para cultivo em áreas de abertura e áreas velhas, pouco ou
moderadamente férteis, devido à sua tendência ao acamamento em condições
de alta fertilidade. Pode também ser cultivada em solos férteis, desde que
os fertilizantes sejam utilizados com moderação. Tem apresentado bons
resultados em diversas situações, tais como: Sistema Barreirão (cultivo
consorciado com pastagem), Sistema Plantio Direto em área de soja e até
cultivo em safrinha. É uma cultivar com excelente qualidade culinária;
contudo, para que se obtenha uma boa porcentagem de grãos inteiros no
beneficiamento, é necessário que a colheita seja feita com a umidade dos
grãos entre 20% e 24%.
Maravilha: recomendada para regiões
com baixo risco de veranico, ou com disponibilidade de irrigação
suplementar por aspersão ou, ainda, em várzea úmida não-sistematizada.
Seus grãos são do tipo agulhinha. É moderadamente resistente à brusone e à
escaldadura, e moderadamente suscetível à mancha de grãos. Por ser
resistente ao acamamento e responsiva à fertilidade, é recomendada para
cultivo com alta tecnologia, inclusive sob pivô central. Seu crescimento
inicial é lento, o que, somado à sua arquitetura de folhas eretas, torna-a
pouco competitiva com plantas daninhas, exigindo, portanto, um bom
controle (Embrapa, 1997).
Caiapó: seu grão, embora não seja
do tipo agulhinha, tem ótima aceitação no mercado, devido ao alto
rendimento de inteiros e à boa qualidade culinária que apresenta. É
recomendada para solos novos ou velhos, em níveis moderados de
fertilidade, para evitar acamamento. Deve ser semeada o mais cedo
possível, com menor densidade, planejando-se medidas de controle de
brusone, em situações de risco, principalmente nas áreas dos Cerrados e em
regiões de maior altitude. Apresenta melhor produtividade em regiões onde
a incidência de brusone é baixa.
Carajás: de ciclo precoce,
é indicada para áreas de fertilidade média ou alta, apresentando bom
potencial de produção e pouco acamamento. Seus grãos são do tipo
tradicional, longos e largos, o que pode levar a um preço inferior ao
praticado para as cultivares de grão agulhinha nos mercados em que este
padrão é o preferido.
Canastra: apresenta boa produtividade
nas mais diversas situações de cultivo, em áreas velhas ou novas,
adaptando-se a diferentes níveis de fertilidade. Em condições muito
favorecidas tende a apresentar alta incidência de escaldadura e mancha de
grãos. Tem boa resistência ao acamamento e pode alcançar alta
produtividade. Seus grãos são da classe longo-fino, e a qualidade de
panela é regular.
Bonança:
cultivar semi-precoce, de porte baixo, resistente ao acamamento
lançada em 2001, apresenta ampla adaptação a sistemas de manejo e tipos de
solo. Seus grãos apresentam problemas de adequação a uma referida classe
por terem dimensões próximas do limite entre elas, entretanto apresentam
boa aparência e boa qualidade culinária, porém inferior à Primavera.
Destaca-se pela excepcional estabilidade do rendimento de grãos inteiros,
mesmo em circunstâncias em que ocorrem atrasos na colheita, dentro de um
certo limite.
Carisma: cultivar semi-precoce, de porte
baixo, resistente ao acamamento,de grãos da classe longo-fino. Pode ser
cultivada em regime de chuvas, sob pivô central ou em várzea úmida, sem
irrigação, apresentando alto potencial de produção. Necessita medidas de
controle de brusone, quando cultivada em situações de risco desta doença.
Tem grão longo fino e de boa qualidade de panela.
Talento:
cultivar semiprecoce, de porte baixo, perfilhadora, resistente ao
acamamento, de grãos da classe longo-fino. È uma cultivar de ampla
adaptação, de ótimo potencial de produção e responsiva ao uso de
tecnologia. Pode ser considerada uma opção para cultivo em várzeas úmidas.
De grãos translúcidos e boa qualidade de panela, pode ser disponibilizada
para o consumo logo após a colheita. Os resultados obtidos, possibilitaram
seu lançamento para cultivo a partir de 2002/2003, nos Estados de Goiás,
Mato Grosso, Rondônia, Pará, Maranhão, Piauí e Tocantins. Tem se mostrado
resistente à escaldadura e à mancha de grãos, mas em relação à brusone, a
BRS Talento se comporta apenas como moderadamente resistente. Em locais de
alta pressão da doença, necessita-se, portanto, adotar as medidas de
controle recomendadas.
Soberana: como a Primavera é
indicada para cultivoem solos pouco ou moderadamente férteis, normalmente
presente em áreas de abertura, devido à sua tendência ao acamamento em
condições de alta fertilidade. Pode também ser cultivada em solos férteis,
utilizando menores dose de fertilizantes e espaçamentos mais largos, como
30 a 40 cm, para evitar acamamento. È ligeiramente menos resistente à seca
que a Primavera e pôr isto deve ser preferida em áreas de melhor
disponibilidade de chuva como o Centro Norte do Mato Grosso. Em condições
experimentais tem-se mostrado menos suscetível à brusone e ao acamamento
que a Primavera, mas não de modo a dispensar atenção em medidas ou
práticas que reduzam os riscos de incidência destes dois fatores
restritivos. Produz grãos com excelente qualidade culinária, todavia exige
colheira com umidade dos grãos entre 20 a 24%, para que se tenha uma boa
porcentagem de grãos inteiros no beneficiamento.
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