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Até a
década de 70 a produção do arroz de terras altas e do arroz irrigado eram
complementares no abastecimento nacional e a concorrência entre eles era
baixa, pois os produtos se dirigiam à diferentes mercados consumidores. A
partir de meados dos anos 70 o arroz irrigado passou a dominar a
preferência nacional e obter maiores cotações no mercado. Neste aspecto,
ressalta-se que a mudança de preferência do consumidor provocou um aumento
da área cultivada do arroz irrigado. A partir do início da década de 80, a
produtividade média nacional apresenta uma tendência de
crescimento.
Com essas mudanças, a área de cultivo com arroz de
terras altas reduziu, mas a produção cresceu e a qualidade melhorou, com
isso, recuperou parte do prestígio que havia perdido. A perspectiva é que
a produção dos diferentes ecossistemas continue desempenhando um papel de
complementariedade, mas com uma certa concorrência. Mas, essa concorrência
não deve ser acirrada, pois a curto prazo, nenhum sistema sozinho é capaz
de atender à demanda interna. No entanto, na competitividade do arroz não
está circunscrita a disputa entre o arroz de terras altas e arroz
irrigado, mas sim a organização da produção.
Com o propósito de
oferecer subsídios que permitam um melhor entendimento do assunto
apresenta-se um breve retrospecto das história recente da cultura,
considerando os avanços, mudanças tecnológicas e de preferência de
consumo, aliados à conjuntura macroecnômica.
Apesar da
pulverização da produção, pode-se dividir a produção de arroz no Brasil,
em três pólos: o primeiro é a região sul, com destaque para o Estado do
Rio Grande do Sul, o segundo é a região Central, abrangendo os Estados de
São Paulo, Minas Gerais, Goiás, Mato Grosso. O terceiro pólo, o estado do
Maranhão que, além da importância histórica na produção, na década de 90
foi o terceiro maior estado produtor deste cereal.
No período de
1970 a 1975 ocorreram variações nos preço, mas o arroz de terras altas
continuou com o preço mais alto. Em 1975, houve uma inversão, mas o
domínio do arroz irrigado passou a vigorar a partir de 1980. Ressalta-se
que nesse processo, ocorreu uma ligeira mudança do perfil do produtor de
arroz de terras altas, principalmente no estado do Mato Grosso e que o
nível de exigência do consumidor foi fundamental na determinação dos rumos
do processo produtivo. Outro componente importante foi a mudança do papel
do governo, que era o maior comprador e vendedor de arroz. Um aspecto
relevante também a ser mencionado é que o governo não primava pela
qualidade, ou seja, não havia estímulo para que se produzisse com
qualidade, mas sim quantidade.
No período de 1994 a 2001,
observou-se que a participação média do agronegócio no produto interno
bruto - PIB foi cerca de 30,5%, enquanto o PIB da agricultura foi 21,5% e
da pecuária foi de 9%, caracterizando o agronegócio e respondendo por
cerca de um terço da economia nacional. Neste contexto, a rizicultura
ocupa uma posição de destaque no agronegócio brasileiro pois, no período
de 1990 a 2002, respondeu por 6,88% da renda agrícola total, sendo o sexto
produto em renda, ficando atrás da soja (18,47%), cana-de-açúcar (13,94%),
milho (13,68%), laranja (7,67%) e café (7,38%).
Apesar das
importantes inovações tecnológicas conseguidas nas décadas de 80 e 90, a
rizicultura de terras altas tem dois grandes desafios; o primeiro, a
consolidação da cultura de forma sustentável nos diferentes sistemas de
produção de grãos, especialmente sob Sistema Plantio Direto e o segundo é
a mudança do perfil do rizilcultor, ainda falta muito para se alcançar um
estágio que possa classificá-los como profissionais na cultura.
No
âmbito mundial, o arroz é cultivado nos cinco continentes, tanto em
regiões tropicais como temperadas. A Ásia é a principal produtora, nela
concentra-se mais de 90% da produção mundial. Os países que se destacam
são: China, Índia e Indonésia que respondem, respectivamente, por 30%, 23%
e 8% da produção mundial. Nos últimos dez anos, na América do Sul e na
África, a produção de arroz cresceu, respectivamente, a uma taxa média de
3,2% e 3,6% a.a. A expectativa para o próximo decênio é que a taxa de
crescimento não ultrapasse a 2,5% a.a. Essa projeção se apoia,
principalmente, na premissa que não vão ocorrer novos ganhos de
rendimentos. Nos grandes países asiáticos a produção de arroz é suficiente
para atender o consumo doméstico. Países como China e Indonésia, exercem
grande influência no comportamento do mercado mundial, haja vista que são
grandes produtores e possuem alto nível populacional.
O consumo de
arroz teve um forte progresso nos últimos trinta anos. Os padrões de
consumo podem ser classificados em três grandes modelos. O modelo asiático
que corresponde a um consumo médio per capita superior a 100 kg a.a. Neste
grupo há países que o consumo alcança até 200 kg. a.a. Um exemplo desse
grupo é a China, que apresenta um consumo anual médio de 110 kg per
capita. O modelo subtropical apresenta um consumo per capita médio que
varia de 35 a 65 kg a.a. O Brasil é um país representativo desse grupo, o
consumo médio gira em torno de 45 kg. a.a. de arroz beneficiado. No modelo
ocidental o consumo per capita médio é baixo, cerca de 10 kg. a.a. Como
exemplo desse grupo pode-se citar a França com um consumo per capita de 5
kg a.a.
Existem dois grandes mercados de arroz no mundo. O mercado
de alto padrão e o mercado de baixo padrão. As diferenças de padrões são
definidas basicamente, pelo percentual de quebrado. Nas cotações de preços
internacionais somente se distinguem as seguintes características: país de
origem, percentual de arroz quebrado, aromático ou não aromático,
parbolizado ou branco.
Para se fazer uma prospecção da
rizilcultura brasileira com um certo grau de confiabilidade é uma tarefa
difícil, porque alguns pontos considerados estratégicos não estão claros,
por exemplo, a) indefinição quanto o grau der interesse por parte dos
planejadores de política públicas pelo produto; b) desdobramentos do
aumento do processo de verticalização e concentração nas empresas privadas
no mercado de alimentos; c) a postura nos itens anteriores e vão
determinar se o país vai se inserir no mercado internacional como
importador ou aumentar a dependência de importação para abastecer o
mercado interno, cujo os eventuais fornecedores sejam os países ricos, que
continuam aperfeiçoando suas produções com o objetivo de conquistar novos
mercados.
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