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Grande
parte das lavouras de arroz de terras altas está localizada na Região dos
Cerrados. Durante a estação chuvosa, quando é feito o cultivo, a
distribuição das chuvas é irregular, sendo comum, nas áreas classificadas
como de médio a alto risco climático, a ocorrência de estiagens de duas a
três semanas, denominadas regionalmente "veranicos". A baixa capacidade de
retenção de água dos solos, aliada à alta demanda evapotranspirativa da
atmosfera durante esses períodos, faz com que os veranicos causem sérios
decréscimos na produtividade do arroz. Uma das alternativas para cultivar
arroz com sucesso nessas áreas, é a irrigação suplementar por aspersão,
utilizando o equipamento para irrigar outros cultivos na
entressafra.
Um aspecto importante a ser considerado é o intervalo
entre as irrigações. Existem trabalhos estabelecendo a freqüência de
irrigação com base no consumo de 30% a 40% da água disponível do solo
(AD). Entretanto, como a curva de retenção de água tem formas distintas
para os diferentes solos, uma dada porcentagem de AD pode corresponder a
diferentes tensões de água do solo. Consequentemente, os resultados
expressos em porcentagem de água disponível só podem ser considerados em
solos com características semelhantes. Se, por outro lado, forem expressos
em tensão de água do solo, podem ser mais facilmente aplicados em outro
tipo de solo. Stone et al. (1986), em trabalho conduzido em Goiânia (GO),
concluíram que, aliando-se produtividade e economicidade, a irrigação do
arroz por aspersão deve ser conduzida de maneira que a tensão de água do
solo, medida a 15 cm de profundidade, não ultrapasse o valor de 25
kPa.
É difícil quantificar com exatidão o volume total de água
necessário para irrigação quando se utiliza irrigação suplementar, uma vez
que este volume depende da quantidade e distribuição das chuvas. A
necessidade total de água para o cultivo do arroz de terras altas varia de
600 a 700 mm. O requerimento de água do arroz irrigado por aspersão pode
ser estimado a partir de tanques evaporimétricos, com base na relação
existente entre a evaporação da água medida no tanque USWB Classe A (ECA)
e a evapotranspiração da cultura (ETc). A relação é obtida utilizando-se o
coeficiente do tanque (Kp) e o coeficiente da cultura (Kc), de modo que:
ETc = ECA x Kp x Kc.
Com os dados de evaporação do tanque de um
local (média de vários anos) e com os coeficientes, pode-se estimar a
demanda de água de maneira mais precisa que a simples medição do consumo
de água em um local e num dado ano.
Outra maneira de calcular a
quantidade de água a ser aplicada no solo cultivado com arroz é
utilizando-se tensiômetro e a curva de retenção de água deste solo. Os
tensiômetros são aparelhos que medem a tensão da água do solo. A curva de
retenção relaciona o teor ou o conteúdo de água do solo com a força com
que ela está retida por ele. É uma propriedade físico-hídrica do solo,
determinada em laboratório. Os tensiômetros devem ser instalados em duas
profundidades no solo, 15 cm e 30 cm, em pelo menos três locais da área
cultivada, quando se trata de irrigação com pivô central. Estes pontos
devem corresponder a 4/10, 7/10 e 9/10 do raio do pivô, em linha reta a
partir da base. O tensiômetro de 15 cm é chamado "de decisão", porque
indica o momento da irrigação, enquanto o de 30 cm é chamado "de
controle", porque indica se a irrigação está sendo bem-feita, sem excesso
ou falta de água. A irrigação deve ser efetuada quando a média das
leituras dos tensiômetros de decisão estiver em torno de 25 kPa.
O
procedimento para determinação da quantidade de água a ser aplicada é o
seguinte: de posse da curva de retenção de umidade, verifica-se a quanto
25 kPa correspondem em conteúdo de água no solo, dado em cm3 de
água/cm3 de solo. Em seguida, calcula-se a diferença entre o
conteúdo de umidade a 10 kPa (capacidade de campo) e a 25 kPa. Esta
diferença, multiplicada pela profundidade de 30 cm, indicará a lâmina
líquida de irrigação. Isto se deve ao fato de que a camada de solo de 0-30
cm de profundidade engloba a quase totalidade das raízes do arroz irrigado
por aspersão e de que a leitura do tensiômetro de decisão representa a
tensão média da água do solo nesta camada.
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