Cultivo do Arroz de Terras Altas
Trabalho produzido pela Embrapa Arroz e Feijão

Cleber Morais Guimarães
Lídia Pacheco Yokoyama (in memoriam)

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Glossário


Manejo do Solo


A capacidade do solo em manter a produtividade das culturas no sistema de rotação é maior do que em monoculturas, principalmente quando se trata de sistemas de produção de arroz de terras altas. Ao conduzir sistemas de produção em rotação e adotar manejos adequados de preparo do solo, promove-se a sustentabilidade desses solos. No caso específico do arroz de terras altas tem sido observado que a produtividade em solos dos cerrados mantém-se ou decresce ligeiramente no segundo ano de monocultura e cai a níveis muito baixos em anos subseqüentes, entretanto quando rotacionado, pelo menos, a cada dois anos com soja, obtém-se aumentos significativos de sua produtividade.

Em Rondonópolis-MT e Primavera do Leste-MT conseguiram-se, em nível experimental, altas produtividades de arroz em áreas de monocultura de soja, com as cultivares Caiapó e Primavera. Nesses trabalhos, por serem conduzidos em solos recuperados, a adubação formulada não surtiu efeito. Por outro lado, o bom preparo do solo com arado de aiveca ou escarificador, aplicados a, aproximadamente, 35-40 cm de profundidade, em solos mais argilosos, determinou produtividades significativamente maiores que as observadas em solos preparados com grade aradora. Quando conduzida em solos sem impedimento ao crescimento radicular e recuperados quimicamente, a cultura do arroz não respondeu à aplicação de fertilizantes e ao preparo profundo. O preparo excessivo do solo favorece a erosão e, conseqüentemente, a perda de matéria orgânica e de outros componentes. Deve-se considerar que o preparo do solo bem conduzido melhora a estrutura física, a porosidade e a rugosidade superficial do solo. Todas estas características facilitam a penetração da água no solo e reduzem a possibilidade de ocorrer erosão.

O Sistema Plantio Direto (SPD), entre os sistemas de preparo do solo, tem se tornado uma alternativa interessante, por proporcionar as vantagens descritas anteriormente e por facilitar a condução dos sistemas de produção. Por outro lado, o sistema, tem demonstrado ser de maior risco quando conduzido em solos que apresentam limitações ao crescimento radicular, o que agrava o efeito dos veranicos sobre as plantas. Em área em que o Sistema Plantio Direto foi iniciado recentemente, ou rico em palhada com alta relação C/N, têm sido recomendadas aplicações de doses mais elevadas de nitrogênio na semeadura para compensar a menor disponibilidade inicial deste nutriente no solo. Tem-se observado que o efeito do N aplicado no SPD de arroz cultivado após soja é baixo, se comparado a outros sistemas de produção. Além do mais, não tem sido observado efeito do manejo da adubação nitrogenada (N aplicado totalmente na semeadura ou parcelado na semeadura e em cobertura), sobre a produtividade.

O arroz apresenta um sistema radicular muito sensível à compactação do solo, ocasionada pelo tráfego excessivo de máquinas em sua superfície, como pode ocorrer no SPD. Nessas condições, o sistema radicular é menos desenvolvido. Entretanto, quando as condições físicas do solo são favoráveis, o sistema radicular atinge maiores profundidades. Sistema radicular pouco desenvolvido não acarreta grandes problemas à planta quando há boa disponibilidade hídrica no solo, porém, pode agravar o efeito dos veranicos, pela menor capacidade da planta para absorver água. Semeadoras de SPD, equipadas com dispositivos para romper o solo a maiores profundidades, têm apresentado resultados positivos na indução do aprofundamento do sistema radicular do arroz de terras altas, comparativamente ao sistema radicular proporcionado pelo Sistema Plantio Direto com semeadoras convencionais.

Sistemas de produção de arroz também podem ser conduzidos em áreas de pastagens, como o proposto pelo Sistema Barreirão. Esse Sistema tem se mostrado muito eficiente e são inúmeros os resultados que comprovam o fato, entretanto para algumas situações, tem surgido a necessidade de procedimentos alternativos para tornar a técnica de uso mais abrangente. Neste sentido desenvolveram-se sistemas com semeadura do capim após a emergência do arroz ou imediatamente após sua colheita, ou mesmo sistemas alternativos de preparo do solo. A semeadura retardada do capim diminui a competitividade entre as culturas consorciadas e permite que as cultivares de arroz expressem seu potencial produtivo. Além do mais, diminui o risco do sistema produtivo do arroz e torna-o de uso mais abrangente, pois adota o maquinário agrícola geralmente disponível na propriedade rural. Nas condições de solo que existem camadas com limitação ao crescimento radicular, como na camada superficial das áreas de pastagens, o preparo do solo com arado é indispensável, principalmente em regiões onde ocorre distribuição irregular das chuvas. O arado quebra essas compactações e melhora o ambiente para o crescimento radicular e, conseqüentemente, a capacidade da planta em absorver água das camadas mais profundas do solo e conviver com os períodos de veranicos. 

 

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