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Iniciou-se em meados da década de 80 um processo mundial de
abertura econômica ao comércio internacional, que desencadeou
transformações no modo de produção, comercialização e consumo de bens e
serviços. Na orizicultura nacional as transformações foram mais acentuadas
porque, além desses elementos, ocorreram mudanças relacionadas à
consolidação da preferência do consumidor pelo arroz tipo "agulhinha", e o
retorno, de forma competitiva, quanto a qualidade e preço do arroz
conhecido como de terras altas, produzido na região central do país.
Para melhor entender os reflexos da nova conjuntura sobre a
comercialização do arroz fez-se um breve retrospecto das mudanças
tecnológicas e nos hábitos de consumo, e traçou-se um rápido perfil da
cultura no país tratando, especificamente, dos atuais instrumentos de
comercialização utilizados pelo governo e das estratégias adotadas pelos
segmentos da cadeia produtiva.
A produção brasileira de arroz
encontra-se dispersa em todo o território nacional. Existem dois tipos
principais de sistemas básicos de produção, o arroz de "terras altas" e o
irrigado, permitindo, ainda, a divisão em três pólos produtivos. O
primeiro é na região Sul, produzindo arroz irrigado com alta tecnologia,
destacando os estados do Rio Grande do Sul e Santa Catarina; o segundo
abrange as regiões Sudeste e Centro-Oeste, envolvendo São Paulo, Minas
Gerais, Goiás e Mato Grosso.
Observa-se, ainda, uma concentração
em pólos de produção, de beneficiamento e de empacotamento em torno de
grandes agroindústrias, que estão instaladas nas regiões produtoras, em
especial no Rio Grande do Sul, principal fornecedor de arroz para os
grandes centros consumidores localizados nas Regiões Sudeste e Nordeste do
país mas, diante do constante crescimento da produção e qualidade do arroz
produzido no Mato Grosso, aliados aos incentivos fiscais nesse estado,
percebe-se uma migração das indústrias do Sul para o
Centro-Oeste.
As transações no mercado do arroz são basicamente do
tipo "spot". No entanto, nota-se uma preocupação em buscar
mecanismos de comercialização complementares que ofereçam maior segurança
na negociação do produto. Esta constatação baseou-se no crescente número
de produtores e indústrias que estão buscando processos alternativos de
comercialização, cujos resultados são de pequenos vultos, mas demonstram
que há interesse em solucionar os pontos de estrangulamento da cadeia
produtiva.
Atualmente o Governo Federal procura adotar uma
intervenção mínima que garanta o abastecimento de arroz em quantidade
suficiente para o abastecimento interno e, ao mesmo tempo, preços
compatíveis com a realidade do setor.
Além dos problemas referentes
à tecnologia e à condução das culturas, os produtores apontam como
principais entraves à comercialização do arroz de terras altas: a) a
enorme variação qualitativa dos grãos, tornando o armazenamento
dispendioso por requerer o acondicionamento em sacos. Isso ocorre porque
os lotes que entram no armazém possuem características e classificações
diferentes; b) o baixo grau de confiabilidade nas relações comerciais
entre produtores e atacadistas; c) a dificuldade de acesso e/ou
indisponibilidade de estrutura própria para a secagem e armazenagem do
grão imediatamente após a colheita.
O segmento atacadista reporta
que a constante intervenção governamental se constitui numa dificuldade
para a comercialização do arroz. No entanto, ficou claro que o mercado
ainda não está preparado para funcionar sem ação governamental.
Os
produtores ainda não dispõem de tecnologias e cultivares que sejam capazes
de, a curto prazo, atender as exigências do mercado, verificadas por grãos
longos finos, uniformes, inteiros, de pequena pegajosidade e rapidez no
cozimento. Algumas metas e ajustes tornam-se fundamentais para que se
estabeleça uma maior coordenação entre o produtor e a agroindústria, a
exemplo do que ocorre com a soja e outros produtos, cujos sistemas de
comercialização são mais desenvolvidos.
Como conclusões adicionais
citam-se: a) o sistema de comercialização do arroz ainda é pouco
desenvolvido, encontrando-se vários problemas, como o baixo entrosamento e
relacionamento entre o setor atacadista/beneficiador e produtor; b) a
produção das regiões produtoras muda de destino, ou seja, os mercados são
volúveis; c) os fluxos são bastante variáveis; d) a maior parte do
arroz de terras altas é comercializada logo após a colheita.
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